6 de abril de 2010

Como as águas de um rio



Ela, mais uma vez, sentou-se à beira do rio para contemplar o curso permanente de suas doces águas. E imaginar que aquela vastidão nascia de apenas um pequeno filete. De tanto contemplar aquele velho rio percebeu que com o passar do tempo, ele mudava de nuance e tom.

Era possível perceber uma correnteza suave e tranqüila e sem obstáculos. Suas águas correndo, sem pressa, através de movimentos que sugeriam um minueto ritmado trazendo lembranças da infância.

Em outros momentos, essa mesma correnteza busca tortuosos atalhos, às vezes, com inútil esforço, mas é certo que suas águas correm vigorosas e em linha reta, ainda que com discreto bailado moderno, suavizando a rigidez do reto. Acudindo o presente.

Por outras vezes, essas mesmas águas correm lânguidas e vulneráveis e deságuam nas lembranças do passado como uma “salida” para trás.

Retomando o tom suave e tranqüilo, as águas prosseguem seu caminhar, entremeado de próximo e distante, com dois pra lá, dois pra cá, em um “valseado” seguro anunciando o futuro.

As águas desse rio - suave, vigorosa, vulnerável - são as águas que correm por tantos caminhos.

14 comentários:

Fátima disse...

Que linda maneira de descrever o curso de água :) eu adoraria escrever assim sobre a natureza.

Muito lindo mesmo!

Bjs

Amapola disse...

Talvez sejamos como os pequenos riachos. Uns chegam ao mar, outros se dispersam no caminho...

Um abraço.

C@urosa disse...

Olá minha querida amiga Isadora, bela reflexão. O rio que corta a minha cidade é sujo e poluído, porém, a sua presença é marcante e perene na minha existência...não consigo ver a minha vida sem a presença do velho rio paraíba.
Muito bom!

Paz e harmonia,

forte abraço

C@urosa

Pelos caminhos da vida. disse...

Faço das palavras de Amapola as minhas tb.

beijooo.

lis disse...

Isadora
"As águas desse rio correm por tantos caminhos" a sua frase é perfeita e traduz também o que vive o povo do Rio de Janeiro.
Uma cidade linda, um povo sofrido a sobreviver a tantos e tantos descaminhos.
As águas quando vem elas nao mais esperam arrumar a casa, segue em linha reta como seu texto e pode nao ter mais tempo.Pra muitos acontece assim!
Que a natureza se compadeça e o sol volte a brilhar para enxugar muitas lágrimas a rolar por esse rio que é a nossa vida.
meus abraços vizinha belo texto

Felina Mulher disse...

Linda a maneira que exaltaste a Natureza.


Beijinho.

Amapola disse...

Passei aqui, para lhe desejar um bom dia.

Um grande abraço.

Mona Lisa disse...

Olá

O percurso do rio tal como o da vida...

Bjs.

Lisa

Wanderley Elian Lima disse...

Ola Isadora
Infelizmente nem todos os rios chegam ao mar, alguns se perdem pelo caminho, desgastados, poluídos ou desiludidos.
Beijos

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Amiga.

Penso que este rio corre
dentro de nós,
e atende pelo especial
nome de VIDA.

Que o amor tome sempre conta de ti

Kimbanda disse...

Querida amiga,
O teu texto tem o perfume dos encontros e desencontros da vida. As esperas que fazem pulsar os corações pela ansiedade e expectativa.
Muito bem escrito este conto maravilhoso que me prendeu a atenção até ao fim.
Li e repeti e contigo aprendi e interiorizei com gosto tamanho.
Óptimo fim de semana e recebe o meu kandando amigo.

Pérola disse...

Passando rapidinho p/deixar o meu beijo amada.

Pérola disse...

Muito obrigado amada.
Fiquei feliz rs.
Ah!!!Eu também adoro a Felina e vc também rs.
Um beijo grande amada e muito obrigado pelo carinho.
Um beijo grande.

Minha Vida disse...

Como é triste saber que tantas vidas são perdidas por falta de estrutura nas cidades. Esses problemas acontecem a anos e ninguém faz nada para resolver.
Uma pena...