6 de outubro de 2010

Uma convenção diferente


Convenção dos feridos por amor:

Disposições gerais:

A - Em se considerando que está absolutamente correto o ditado “tudo vale no amor e na guerra”;

B – Em se considerando que na guerra temos a Convenção de Genebra, adotada em 22 de agosto de 1864, determinando como os feridos em campo de batalha devem ser tratados, ao passo que nenhuma convenção foi promulgada até hoje com relação aos feridos de amor, que são em muito maior número;

Fica decretado que:

Art. 1 – todos os amantes, de qualquer sexo, ficam alertados que o amor, além de ser uma benção, é algo também extremamente perigoso, imprevisível, capaz de acarretar danos sérios. Conseqüentemente, quem se propõe a amar, deve saber que está expondo seu corpo e sua alma a vários tipos de ferimentos, e não poderá culpar seu parceiro em nenhum momento, já que o risco é o mesmo para ambos.

Art. 2 – Uma vez sendo atingido por uma flecha perdida do arco de Cupido, deve em seguida solicitar ao arqueiro que atire a mesma flecha na direção contrária, de modo a não se submeter ao ferimento conhecido como “amor não correspondido”. Caso Cupido recuse tal gesto, a Convenção ora sendo promulgada exige do ferido que imediatamente retire a flecha do seu coração e a jogue no lixo. Para conseguir tal feito, deve evitar telefonemas, mensagens por internet, remessa de flores que terminam sendo devolvidas, ou todo ou qualquer meio de sedução, já que os mesmos podem dar resultados a curto prazo, mas sempre terminam dando errado com o passar do tempo. A Convenção decreta que o ferido deve imediatamente procurar a companhia de outras pessoas, tentando controlar o pensamento obsessivo “vale a pena lutar por esta pessoa”.

Art. 3 – Caso o ferimento venha de terceiros, ou seja, o ser amado interessou-se por alguém que não estava no roteiro previamente estabelecido, fica expressamente proibida a vingança. Neste caso, é permitido o uso de lágrimas até que os olhos sequem, alguns socos na parede ou no travesseiro, conversas com amigos onde pode-se insultar o antigo(a) companheiro(a), alegar sua completa falta de gosto, mas sem difamar sua honra. A Convenção determina que seja também aplicada a regra do Art. 2: procurar a companhia de outras pessoas, preferivelmente em lugares diferentes dos freqüentados pela outra parte.

Art. 4 – Em ferimentos leves, aqui classificados como pequenas traições, paixões fulminantes que não duram muito, desinteresse sexual passageiro, deve-se aplicar com generosidade e rapidez o medicamento chamado Perdão. Uma vez este medicamento aplicado, não se deve voltar atrás uma só vez, e o tema precisa estar completamente esquecido, jamais sendo utilizado como argumento em uma briga ou em um momento de ódio.

Art. 5 – Em todos os ferimentos definitivos, também chamados “rupturas”, o único medicamento capaz de fazer efeito chama-se Tempo. Não adianta procurar consolo em cartomantes (que sempre dizem que o amor perdido irá voltar), livros românticos (cujo final é sempre feliz), novelas de TV ou coisas do gênero. Deve-se sofrer com intensidade, evitando-se por completo drogas, calmantes, orações para santos. Álcool só é tolerado em um máximo de dois copos de vinho por dia.

Determinação final: os feridos por amor, ao contrário dos feridos em conflitos armados, não são vítimas nem algozes. Escolheram algo que faz parte da vida, e assim devem encarar a agonia e o êxtase de sua escolha.

E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”. Porque não viveram.

(Paulo Coelho)

26 comentários:

Jeanne disse...

Que maravilha! Ele conseguiu dar leveza a um assunto que normalmente é bem dolorido.
Mas tem cura, o tempo...
Beijos :)

C@urosa disse...

Olá querida e sensível amiga Isadora,
fica decretado que os amantes sejam sinceros, honestos, francos, autênticos e que a verdade flua sempre do coração de todos...e que o amor seja infinito enquanto dure.

forte abraço

C@urosa

Cantinho She disse...

Queridaaaaaaa! Tantos posts bons aqui e não consigo ler como você merece, agora passando para te deixar beijo, beijo, mas volto com calma, pois já vi que têm vários aqui que quero ler...

Beijo, beijo! ;)
She

Solange disse...

Isadora querida,

adorei...
acho que vou ler todos os dias, até decorar... risos...

beijo imenso

Maria Célia disse...

Boa noite, Isa
É isto, quem não foi ferido pelo amor, não poderá nunca dizer; eu vivi, porque não viveram.
Esta frase diz tudo sobre o amor, como é bom senti-lo plenamente, como é maravilhoso aquele friozinho na barriga só de pensar no ser amado, o coração disparado, as horas sonhando acordada.
Como é gostoso!
Bjos

Nanda Ribeiro disse...

Ai Mamu....comento pessoalmente rs! Adorei. Bj

Marcos disse...

Se você tivesse escrito o texto, eu acreditaria muito mais nele... já o Paulo Coelho faz soar forçado.

Pois eu sei que vc gostaria de ter um código de "ética" para os feridos por amar demais. Já o Paulo Coelho deve pensar em quantos livros ele vai vender para as pessoas que acreditam nessas palavras.

Desculpe o desabafo no seu post. Mas reli o texte acreditando que vc fez das palavras dele as suas.

bjs

Flavio Ferrari disse...

Gostei da postagem (embora ficasse melhor sem coelho).
Eu já acho que amor não fere nem deixa ferir ... o problema são as nossas neuroses ...

Nilce disse...

Independente do "Coelho" gostei demais, Isa. Achei o texto muito divertido falando de coisas tão reais.
Muito bom.

Bjs no coração!

Nilce

lis disse...

Oi florzinha
Quando os corações estão partidos não há convenção que dê jeito rsrs
Felismente posso dizer vivi , trago ainda marca de alguns ferimentos rs
Nao sou muito fã de Paulo Coelho mas gostei bastante .
deixo abrsços e muito carinho

António Rosa disse...

Isa

Gostei muito do seu post. É sempre bom termos presente que o amor não se «tem», mas sim, «vive-se».

Gostei muito do seu espaço, mas estou a ter dificuldade em ficar seu seguidor, pois o Blogger não está a deixar. Mas irei insistindo até conseguir.

Abraço

António

Wanderley Elian Lima disse...

Tudo muito lindo Isadora, o difícil é colocar em prática rsrsrsrs
Bjux

Pérola Anjos disse...

Os que morrem de amor são os que mais vivem.

Obrigada pela visita e por soltar suas linhas pelos meus ares!

Beijos!

Chica disse...

Puxa, que beleza de mensagem essa! Alivio à dor...beijos,lindo dia,tudo de bom,chica

Cantinho She disse...

Passando pra te ler, amiga, não sou muito fã de Paulo Coelho, mas sei reconhecer quando leio um texto interessante...rs Gostei!

Beijo, beijo!
She

Cris França disse...

Vivi! Vivo e Viverei!

que texto maravilhoso, somos agraciados todos nós em poder ler algo assim tão belo.

um beijo para vc querida e obrigada pelo carinho de sempre. bjão

Lua Nova disse...

rsrsrrsr...muito bom! preciso fazer uma "colinha", levar no sutiã e ler seguidamente, onde quer que eu esteja, pra não esquecer nunca mais!
Beijokas.

Minha linda, postei "nosso" selinho lá no Chocolate, atrasada, confesso, mas com muita alegria e gratidão.
Mais beijokas.

Cantinho da Cê disse...

Um texto gostoso de ler...

Gostei da escolha Isa...

Beijos da Cê

welze disse...

simplesmente apaixonante. tinha que ser DELE

Luma Rosa disse...

Por conclusão, deixar de amar é morrer? (rs*) Ou ter vários amores é ter várias vidas? Entendi, entendi! Melhor viver uma única vez, mas vivê-la integralmente! Beijus,

Cacá disse...

Diz a norma da boa convivência que, em não havendo possibilidade de se tomar parte das deliberações de um tratado ou convenção, ela será lida e examinada para se tomar posicionamento contra ou a favor. Pois então, acabo de me tornar um signatário desta.rsrs. Muito bom, Isadora! Abração. paz e bem.

pensandoemfamilia disse...

Muito bom. Sigamos a risca as prescrições.
bjs

Mônica - Sacerdotisa da Deusa disse...

Olá minha amiga do coração!
Passando rapidinho para deixar o meu carinho para vc minha flor.
Que seu dia seja muito abençoado Isa.
Beijinhos.

Flores e Luz.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Não conhecia esse texto do Paulo Coelho. Achei bonito, gostei do que li.

e que vivamos bem o amor!
bom dia

Dois Rios disse...

Perfeito, querida Isadora!

Amar é o mesmo que cruzar um abismo em uma corda bamba. Havemos de faze-lo, mas sempre com a iminência de cairmos no vazio.

Beijos,
Inês

Daniel Savio disse...

Infelizmente, no amor, não se há tal convença para reduzir os danos de amar...

Fique com Deus, menina Isadora.
Um abraço.