4 de agosto de 2010

Ditadura, Comunismo e Olga


Não sei o motivo pelo qual li tantos livros sobre a época da ditadura. Ou melhor, eu acho que sei, sim.  História me fascina. Entender o homem e suas ações no tempo, como acontecimentos remotos tem influência no presente, mas enfim, a questão é que li muitos livros sobre esse período: Tortura Nunca Mais, O Que É Isso Companheiro, História Indiscreta da Ditadura e Olga. Talvez, eu tenha lido mais alguns, mas a memória começa a dar sinais de cansaço.

Por ter lido tantos livros, criei e recriei todas as histórias, as cenas, enfim todas as atrocidades cometidas, em nome da segurança do País e por isso, me reservei o direito de não assistir A Lista de Schindler e  Olga. O que eu havia lido e criado me era suficiente.

Volta e meia me pergunto: se eu tivesse vivido nessa época, eu teria ido para as ruas,  teria combatido a ditadura? Por vezes acho que sim, outras acho que não teria coragem suficiente. Partir para a guerra armada tenho certeza de que não.

Me impressiona e me questiono sobre qualquer tipo de fanatismo. Pessoas que perdem suas vidas, em nome de uma causa. Seja ela qual for. Eu, particularmente, não compreendo e mesmo que creia muito em algo, não acredito que tenhamos que pagar com nossas vidas, mas esse é apenas o meu ponto de vista.

Bom retomando o intento do post.... Um ano atrás, mais ou menos, eu estava de férias e procurando algo interessante para ver na TV, me deparo com o filme Olga, já pela metade. Por alguns segundos fiquei indecisa. Troco de canal? Assisto o filme? Já se passaram tantos anos pra que ver agora?

Claro que acabei vendo o filme que por sinal gostei muito. Gostei pela atuação, pelo retrato daquela época que me pareceu fidedigno, por tudo, mas tem uma cena que me marcou profundamente e que no final de semana passado, mais um vez trocando de canal, dei de cara com o filme, exatamente, na mesma cena:

Olga foi deportada, grávida de 7 meses e está com a pequena Anita em seus braços, em uma cela, em Barnimstrasse, temida prisão de mulheres da Gestapo. Ela chora e diz baixinho para si mesma: eu ainda tenho leite! Isso porque Anita poderia permanecer com ela, na cela enquanto fosse possível amamentá-la, porém a verdade é que seu leite, infelizmente chegara ao fim e nesse mesmo momento entram, na cela algumas policiais femininas e uma enfermeira e ordenam que Olga entregue a menina. As policiais saem recolhendo as coisas da menina, enquanto Olga acuada grita que ainda tem leite, que elas não podem levar a menina.

Gritos em vão, pois a enfermeira arranca a filha de seus braços, enquanto as policiais a agridem como um porrete. A cena que se segue é Olga desesperada, no chão da cela com as mãos para fora da grade clamando por sua filha e fecha com ela segurando um sapatinho de Anita.

Olga falaceu, em 1942, com 34 anos, no campo de concentração de Bernburg - Alemanha.

Só relembrar é de encher os olhos de lágrimas e dilacerar qualquer coração e aí não importa se você tem filhos ou não, pois sofre-se e muito. É claro que para os que tem filhos, a cena é mais dolorosa, ainda.

Hoje (e acredito que sempre) olhando para minha filha, não me imagino tomando nenhuma atitude ou fazendo algo que possa cercear a minha liberdade. Algo que me ponha em risco, pelo simples fato de não poder imaginar meus dias longe dela, de não poder cuidá-la, ou simplesmente estar ao seu lado e vê-la crescer.

28 comentários:

Yoyo disse...

Pois é Isa...Eu também gosto muito do tema.Li e vi muitas coisas relacionadas.Há bem pouco tempo, quando estive na Argentina me encantei por aquele povo, tão politizado, que luta por seus direitos me interessei por pesquisar sobre diferenças e semelhanças na forma de lidar com a ditadura, entre o povo brasileiro e o povo argentino. Ainda não comecei nada nesse sentido, mas é um projeto que tenho para o futuro.
Quanto a OLGA, foi entregue a Hitler por Getúlio Vargas, um presidente tão "festejado" no Brasil.
Beijinhos

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu amo livros históricos também. E gosto de ouvir histórias de vida.

Vi Olga e gostei muito do filme. É emocionante, ainda mais pelo fato de sabermos que não é ficção. Achei que o livro foi bem adaptado.

A biografia de Olga tb é muito forte. Que mulher tão a frente do seu tempo, fantástica. Na hora que ela perde a filha é triste demais. E as cenas no campo de concentração tb marcam muito.

Eu queria tomar a liberdade de deixar um link pra vc.
Ao ler seu post, me lembrei de um post que fiz, que conta a história de uma mãe nos anos Vargas... se te interessar, dá uma lida, acho que vc vai gostar

http://mauj77.blogspot.com/2010/06/mais-triste-historia-de-uma-familia.html

bjs e boa tarde

Mari disse...

Isadora querida...

Muito lindo este post, confesso que concordo com você em muito do que disse.

O filme Olga, eu vi quando foi lançado no cinema, assim como A Lista de Schindler, aliás ambos impecáveis!

Eu também não teria coragem, por mais que eu acreditasse em alguma causa...de seguir em frente sabendo que isto oderia custar minha vida...pela mesmas razãoes que você descreveu aqui...

Fica a dica querida, para que você veja também a Lista de Schindler, tenho certeza que vai valer a pena.

Beijos

Juliana Mendes disse...

história realmente é fascinante, puutz, é cada coisa meu...
mas enfim...
não ass. o filme, mas, eu tbm n faria isso se tivesse uma filha, afinal liberdade é quando não temos mais nada a perder...!
:S

Daniel Savio disse...

Infelizmente, ainda vai continuar por um bom tempo este tipo fanatismo que acabou condenando a Olga...

Enquanto preferimos só evoluir no conhecimento e esquecermos o espiritual.

Fique com Deus, menina Isadora.
Um abraço.

Felina Mulher disse...

Lindaaaaa....eu li e assistir Olga, que filme maravilhoso, apesar da triste história.Eu que me julgo guerreira, acho que tbm não faria o que ela fez.meus filhos são meu Tudooo!!!

beijinhos Isa.

HSLO disse...

Eu li o livro e assistir o filme, muito bom.


abraços

Hugo

Lis. disse...

Olá Isadora

Toda vez que penso na mãe e numa criança, lembro que qualquer mulher que decida de sã consciência dar a luz a uma criança decidiu ver seu próprio coração batendo fora do peito.

Tudo é muito relativo sempre, e recordo-me que um dia estava passando perto de uma delegcia carioca e li pintado em seu muro: "Quando o ideal é maior que a vida vale a pena dar a vida pelo ideal".

Tudo é muito relativo mesmo, afinal um dia vamos morrer seja de um jeito ou de outro, se for por um bom ideal melhor ainda. Lembrando: Jesus Cristo morreu para que suas palavras vivessem.

Boa noite.

VaneZa disse...

Engraçado que eu também gosto do tema... mas tem horas que me recuso a ver algo do tipo. Olga por exemplo eu nunca tive coragem de assistir... e agora depois dessa cena que você descreveu... agora que não vejo mesmo. O mesmo acontece com filmes que retratam as atrocidades do nazismo e também com filmes relacionados a escravidão. Filmes que fala de maltrato a animas então... desses eu quero distância.

Muito bom o seu texto.

BeijoZzz

Lianara **Lia** disse...

Oi Isadora!

EMOCIONANTE!!!

Não dá pra não se emocionar! Também tenho muito interesse pelos acontecimentos da época das nossas Ditaduras...anos 30/40 e anos 60/70.
Tanto que tenho uma comunidade no orkut chamada "ANOS 70 - SEM DITADURA".

Já li muito sobre o assunto e tenho muitos questionamentos, como você!
Como disse o Chico "página infeliz da nossa história"!

Quanto ao filme, muito triste mesmo!
Você já assistiu Zuzu Angel?

Beijos
Lia

Isa mar disse...

Obrigada Isa por nos contar um pouquinho da história.
Eu hoje não tenho mais coragem de assistir um filme desses, passo mal...
Assisti a anos atrás a lista de Shindler, os campos de concentração e as cenas nunca mais saíram da minha cabeça
Só pra te contar rsss, assisti Avatar esses dias e fiquei emocionada, muito lindo e ao mesmo tempo traumático algumas cenas, mas vale a pena, porque ficamos com uma certeza de que o amor sempre vence no final
Beijos em seu coração amiga!

Nilce disse...

Oi, Isa

Realmente OLGA foi uma mulher extraordinária. Assisti o filme por 2 vezes e realmente essa é uma das cenas mais marcantes.
Também gostei de "A Lista de Schindler". Fiquei chocada.
Depois ainda vi "O menino do pijama listrado", esse me fez chorar muito também, pelo amor de uma amizade.

Quanto à Ditadura no Brasil, acho que não sairia às ruas também. Sou de brigar por uma causa, mas quando há muita violência, desisto e tenho medo de perder alguém.

Bjs no coração!

Nilce

Louise e Marcia disse...

Isa, amo a maneira como vc fala sobre o que vive e sente. E concordo com vc que eu tb nao sei se iria atras de algum ideal, colocando em risco a minha vida familiar. Mas aquelas eram outras epocas, nao eram, vamos lá saber o que fariamos e o que poderiamos fazer.
Somos abençoadas por estarmos no aqui e agora. rs
Eu nao vi Olga, mas vi A Lista de Schindler e é emocionante e ao mesmo tempo torturante ver algo assim, mas penso que tb serve para as pessoas pensarem duas vezes em deixar que algo assim acontece de novo.
Mudando de assunto. Amigaaa, conhecemos a Deia pessoalmente e agora só falta vc!!!!! rs
Bjs! Lu

pensandoemfamilia disse...

Já vi vários filmes desta época, mas não é o que mais gosto. A cena que relata, quando assisti fiquei muito emocionada e pensando se valeu a pena esta luta e a perda da filha.
Eu naõ sei como exatamente me portaria, mas acredito que optaria por me manter junto dos filhos.
bjs

Andrea Pagano disse...

Isa...
Pra variar coisas lindas que vc escreve sobre uma história absurdamente triste...
A cena quando arrancam a filha é fortíssima e precisa ter coragem pra ver...
Adorei sua homenagem, também gosto muito de história e sempre tirei notas boas... Sempre me pergunto porque fiz matemática nessas horas...rsrs
Bjs,

Teresa Cristina disse...

Oi Isa! Dessa época eu gosto mais das músicas, elas me fazem viajar...não dá para saber se iríamos a rua por uma causa, mas podemos pensar que na nossa época atual quais são as causas que podemos apoiar? Temos tanta coisa urgente...destruição da natureza, pobreza, fome, juventude carente...penso que não tanto quanto "Eles" que pagaram com a própria vida podemos fazer um pouco mais pelas pessoas e o mundo que vivemos. Beijos querida, parabéns pelo post!

Socorro Melo disse...

Oi, Isadora!

Considero Olga uma das melhores produções do Brasil, e a cena que você descreve, foi a mais forte, sem dúvida. Eu me emocionei demais com esta cena, e concordo com você, acho que minha contribuição, poderia ser qualquer outra, menos colocar à minha vida e das pessoas que amo em risco.

Beijos
Socorro Melo

Mônica - Sacerdotisa da Deusa disse...

Oi minha amiga linda!
Confesso a vc que não é o meu tema predileto, conheço a história e nunca tive coragem de assistir. Não sei se pq sou muito imaginativa, mas só de me contarem eu visualizo td rapidamente, e sinto o sofrimento, e aquilo dói tanto em mim que acabo por não assistir p/ evitar estes sentimentos que me invadem e que nem sempre consigo me desfazer deles facilmente. Já sofri muito por isso, hj em dia estou bemmm melhor, mas mesmo assim não bobeio.
O que faço qdo me lembro ou quando falam a respeito dessa época é rezar por aqueles espíritos que sofreram tanto, pois fico muito compadecida...
Beijinhos florzinha.

Flores e Luz.

Cacá disse...

A maioria dos livros que li sobre o período da ditadura foi numa época de aventura juvenil e eu teria encarado qualquer barra, se fosse arrebatado para as fileiras da luta armada. Hoje mais não. A gente vai tendo outra compreensão da vida que ultrapassa um ímpeto que a juventude nos propicia . De qualquer forma, fica o sentimento de abominação por todas as práticas violentas de assumir o poder. Já basta a violência que sofremos nos bolsos, na ética, no trato da coisa pública. No mes passado li COMPANHEIRA CARMELA, um livro ue retrata a vida de uma mãe que entrou na luta contra a ditadura com os dois filhos. Ela era mineira de Araxá. Um livro tão envolvente e chocante quanto Olga. Abraços, Isadora. paz e bem.

Dama de Cinzas disse...

Olha eu nem tenho filho! Mas eu e meu ex-marido assistimos esse filme e quando chegou nessa cena que tiram a criança da Olga, nós choramos tanto que não conseguíamos mais parar...

Beijocas

Fátima disse...

Oi!

Eu não vi esse filme mas só o pequeno trecho que colocou eu arrepiei todinha... me fico perguntando o quanto sofrimento e dor os nossos antepassados tiveram que passar para termos a vida que temos hoje?! Nossa liberdade se deve em muito a pessoas corajosas que lutaram por aquilo em que acreditaram.

Beijo

Meru Sâmi disse...

O seu último parágrafo faz a diferença, pois para a mulher o peso de tudo o que fizer sempre refletirá nos filhos. E para qualquer mulher, filhos sempre são as portas do paraíso ou do abismo, dependendo da situação.
Eu também não me imagino tomando uma atitude que privará meus dois filhotes de minha presença.
Essa é uma ótima reflexão!

Beijos

Bia Pessoa disse...

Boa tarde Isa

Olga é um filme lidissinho, e muito triste. Sinto muito por não ter lido o livro, quem sabe surge a oportunidade, visando que o livro sempre é melhor que filme.
Gostei muito do seu texto.


Grande abraço,

Bia

Graça Pereira disse...

Não vi este filme mas sei que me emocionaria como tu... Vi outros ( A lista de Schindler, por exemplo) e li livros onde as pessoas eram torturadas com monstruosidades...ninguem era poupado.
Senti muitas vezes revolta perante cenas de pura malvadez...
Tem de haver um Inferno para esta gente...
Beijo
Graça

Gilmar disse...

Eu compreendo sua fala, Isadora. Tenho dois filhos, razão e essência de minha existência. Não me imagino longe deles. Seria impensável isso! E ando tão vazio de ideais que dificilmente ousaria outras escolhas, embora sejam possíveis.

A cena que mencionou é mesmo uma das mais fortes. Minha emoção não resistiu. Camila Morgado teve uma atuação brilhante, que exigiu muito dela (que dirá os cabelos). Um belo filme! Forte!

Meu carinho a você, Isa!

Clau Finotti disse...

Oi Isa!
Confesso que sou completamente alienada quando se trata de violência. Eu procuro saber o mínimo possível e filmes sobre nazismo e qualquer outra forma de violência me incomodam muito. Acho que preciso de terapia...rs... Eu gosto de filmes históricos e livros também, mas parece que absorvo toda a dor das pessoas que vivenciaram isso e não me sai nunca mais da cabeça. Daí prefiro saber superficialmente. Mas, quanto à sua indagação, eu também penso que minhas ideologias não iriam nem até a esquina de casa...rs... muito menos se a vida de algum dos meus estivesse em risco.

Beijos.

Clau

Luciana Penteado disse...

Puxa, que lindo texto, Isadora, mesmo quem não leu o livro ou não assistiu ao filme, dá pra imaginar as cenas, tamanha eficiência na descrição. Adorei! Confesso que sou preguiçosa e não leio tantos livros, prefiro ler na net, muuuuuito, sobre tudo, mas livro mesmo, são poucos.

Sobre a peça, se der pra ver ainda, é possível que ela repita no Rio, assista, pois vale a pena. É adorável, ela dá um banho de interpretação. A hora em que ela chora em cena, quase no final, é de arrepiar. Amei!

Beijos pra ti!

Lúcia Soares disse...

Isadora, não li nem assisti Olga.
Assisti "A lista de Schindler" e apesar dos horrores que mostra, se você gosta de História, tem que assistir, pois já deve ter lido livros sobre a época. E é verídico também. Oscar Schindler realmente existiu. É fascinante.
Também não sou a favor de lutas, sou a favor de manifestações pacíficas. Não gosto de greves, acredita?
Acho que tudo tem que ser conversado e não levado aos extremos.
Fico dias sem vir aqui (por falta de tempo, mesmo) mas adoro ler você.
Obrigada por estar sempre nos meus comentários.
Bj