7 de março de 2010

A Rosa e O Espinho

Desde que se entendiam por Rosa e Espinho eram amigos. Mal conseguiam lembrar-se de quando começou a amizade. Provavelmente desde sempre.

Tudo era a Rosa e não diferente, tudo era o Espinho.

Viviam a conversar: sobre o sol, sobre a chuva, sobre a vida, sobre os dias de Rosa e os dias de Espinho.

Correram alguns anos e aquela amizade virou namoro. Namoro inocente. A Rosa ficava toda prosa e contava alegremente para as outras, as façanhas do Espinho.

A primavera chegou e Rosa de um vermelho-acetinado estava especialmente bonita. Exalava um perfume sem igual. É claro que aquela belezura toda não tinha passado desapercebida pelo Espinho, que fitava Rosa completamente enamorado.

Nuca haviam se tocado, pois Espinho tinha medo de machucar Rosa e assim, as estações passavam.

Um dia, Rosa um tanto acanhada perguntou:

- Meu doce Espinho, você nunca há de me tocar?

O Espinho com ar tristonho respondeu:

- Doce Rosa, amo você mais que tudo nessa vida e não posso imaginar vê-la sofrer. Tenho medo de tocá-la e acabar por te machucar. Para mim não existiria dor maior.

- Mas, doce Espinho, isso quer dizer que nunca poderei sentir o seu toque a me fazer carinho? Ah, querido, que triste sina a nossa.

Espinho ficou desolado com as palavras de Rosa, pois também sonhava com o farfalhar de suas pétalas em seu rosto.

Estavam em um impasse e Rosa decidiu fazer uma proposta.

- Amado Espinho, prometo que se você me tocar e doer nada te contarei. Assim, não ficarás triste.

- Linda Rosa como posso aceitar tal proposta?

- Vamos, meu Espinho. Apenas tente.

O Espinho estava resistente, mas não conseguiu aguentar por mais tempo e cedeu ao pedido da doce Rosa.

Assim foi e toda vez que o Espinho a tocava sentia dor.

O Espinho era sempre muito gentil e delicado, mas nada adiantava. Rosa sentia dor. Ele era duro, pontiagudo e afiado.

- Que ironia, Rosa pensou, ele que existe justamente para me proteger. Porém não posso contar-lhe da minha dor, pois é bem provável que morra de desgosto.

Passaram-se algumas outras estações.

O amor que Rosa sentia pelo Espinho era tão sem tamanho que logo a história correu a floresta. Conta daqui, conta de lá até que um dia chegou aos ouvidos da fada Paradis.

A fada Paradis era conhecida por sua extrema bondade e senso de justiça e quando invocada era capaz de ajudar na superação dos obstáculos mais difíceis. Ao ouvir a história resolveu ter com Rosa e esta explicou tudo tin tin por tin tin.

Após ouvir tudo com muita atenção, pediu que todos da floresta chegassem mais perto e decretou que a partir daquele exato instante, Rosa não mais sentiria dor quando seu amado a tocasse. Em toda a sua existência não tinha ouvido falar de maior prova de amor.

Assim, Rosa e Espinho viveram felizes enquanto durou.

4 comentários:

Betah disse...

Lindo Isa!!!!!
=)

Val disse...

Adorei. N queria que terminasse:)

Isadora disse...

Betah e Val, obrigada! É muito bom quando escrevemos algo que toca as pessoas.
Obrigada a vocês pelo carinho com as minhas mal traçadas linhas!

Fernanda disse...

Ai amiga...Chorei de novo! Rs... Lindo! Bj