Não me recordo, ao certo, do início do romance. Buscando pela memória acredito que tenha sido por volta dos meus 10 ou 11 anos de idade. O que me recordo bem foi o que deu início a tudo : duas séries A Inspetora e a Turma do Posto Quatro. Fui apresentada, aos pouco, por minha mãe, aos livros que compunham cada série. Ambas tinham o suspense como temática. Sempre algo a ser desvendado, um caso a ser solucionado.
Depois de ler avidamente, as duas séries, o amor pelos livros tomou de assalto meu coração e nunca mais me permitiu abandoná-los e eu, em gratidão, ao mundo que se descortinou me mantenho fiel a eles até hoje.
Um pouco mais velha, ainda, na linha do suspense enveredei pelos fascinantes enredos de Agatha Christie narrados com maestria e sobre a perspectiva de Hercule Poirot. De todos os livros que li guardo o nome de dois: Cipreste Triste e o Assassinato no Expresso do Oriente.
O colégio incentivou esse amor e fez com que o horizonte fosse ampliado. Passei a percorrer novos caminhos: Machado de Assis (Dom Casmurro para mim é um dos melhores), José de Alencar (me encantei com Lucíola), Aluizio de Azevedo (impossível esquecer-se de O Cortiço), Victor Hugo, Guimarães Rosa, Júlio Verne, Drummond, Zélia Gattai, Fernando Pessoa, entre tantos outros.
Meu avô tinha uma quantidade significativa de livros, em casa, e eu aproveitava as folgas entre um dever e outro para correr para o escritório, me aninhar na velha poltrona, e com um livro nas mãos passar alguns minutos passeando por outros caminhos. Foi sentada na nossa velha poltrona que devorei toda a coleção de Machado de Assis.
Li três livros em épocas distintas (1984, 1986 e 1988 respectivamente), mas ambos me marcaram profundamente, cada um ao seu tempo: O Diário de Anne Frank, Tortura Nunca Mais e Olga. A partir de Olga virei fã incondicional de Luís Carlos Prestes e de sua história e consequentemente da própria Olga.
Embora, alguns façam críticas severas, aos livros, do Paulo Coelho afirmo sem constrangimento que li praticamente todos. Em 2009 tive a oportunidade de ler a biografia dele e confesso que fiquei orgulhosa, pois aí está uma pessoa que nunca desistiu do seu sonho: ser escritor. E, hoje, está aí entre os mais vendidos e lidos.
Já por volta de 1991/1992 outros dois livros entraram para a lista dos mais queridos: Operação Cavalo de Tróia e As Brumas de Avalon. Cada um com quatro volumes e me lembro como se fosse, hoje, de como me senti órfã quando cheguei ao final do quarto livro das Brumas.
Livros são passaportes, são bilhetes de partida. São poderosos condutores, carruagens, que nos levam para longe, que nos fazem viver outros sonhos, conhecer outros mundos. As viagens são intermináveis.
Agora, adulta, os livros são companheiros inseparáveis. Fui apresentada a excelentes autores e por minha própria conta e curiosidade descobri outros maravilhosos. Adoro entrar em uma livraria e com calma percorrer as estantes parando hora aqui, ali, pois um título chamou a minha atenção e parei para ler a sinopse. Alguns títulos saltam aos olhos e quase que intuitivamente pedem para que você o leve. Gosto de pegar no livro, folhear suas páginas, sentir o cheiro do papel.
O meu amor pelos livros nunca diminuiu, muito pelo contrário é amor que cresce que trasborda. Por esse amor ser imenso é que resolvi compartilhar, ele, aqui com vocês.
Alguns livros da minha estante:
Minha Razão de Viver – Samuel Wainer, Antônio e Cleópatra – William Shakespeare, A Gruta – M. R Menezes, Era no Tempo do Rei – Ruy Castro, Chatô – Fernando Morais, Equador – Miguel Sousa Tavares, Cem Anos de Solidão, Do Amor e Outros Demônios, O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel Garcia Marquez, O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint - Exupéry, A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak, História Indiscreta da Ditadura e da Abertura Brasil 1964 – 1985 – Ronaldo Costa Couto, O Homem Duplicado – José Saramago, O Vendedor de Sonhos – Augusto Cury
