Acompanhava pelo jornal, o terceiro dia de julgamento do casal Nardoni, quando me deparei com o relato feito pelos peritos ao júri. Dali foi impossível passar, impossível continuar. Cheguei à conclusão de que não tenho estrutura emocional para acompanhar o caso. Como mãe, cada palavra lida atingia meu estômago com veemência e um véu de tristeza desceu sobre mim. Naquele momento decidi não continuar.
Ainda digerindo o que tinha lido pensei na minha filha, e em todo amor a ela devotado e escrevi esse pequeno conto. Vamos ao conto...
Nova e meia da noite e a mãe começa a ladainha de todos os dias: filha troca a sua roupa e coloca a camisola, filha, por favor, vai escovar seus dentes, filha já separou o material para amanhã? filha arrume os brinquedos que estão espalhados.
A filha responde também com a ladainha de todos os dias: mãe, só um minuto, já vou trocar a roupa, mãe, posso escovar o dente com a sua pasta de dente? mãe vou separar o material, mãe me ajuda a arrumar isso aqui.
Ambas as ladainhas terminadas, a mãe coloca a filha para dormir e deita ao seu lado para fazer-lhe um pouco de companhia e ler uma história. Ritual sagrado de todos os dias.
História contada e filha já acomodada, a mãe pergunta:
- Filha, você já agradeceu ao seu anjinho da guarda pelo dia de hoje?
- Não, mãe, ainda não.
No instante seguinte, a menina começa:
- Meu anjinho da guarda, muito obrigada pelo dia que eu tive hoje.
Juntas mãe e filha terminam:
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador. Se a ti me confiou à piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém.
Que o anjo da guarda de nossos filhos esteja sempre ao lado deles zelando e protegendo.